
As redes sociais abriram espaço para que milhares de mulheres transformassem a criatividade em profissão. Ainda assim, o reconhecimento nem sempre acompanha o sucesso. Para a influenciadora e dançarina Larissa Ávila, o machismo continua presente no mercado e se manifesta tanto em situações do dia a dia quanto em oportunidades profissionais.
Natural de Recife (PE), Larissa construiu sua carreira por meio da dança e da produção de conteúdo digital, reunindo mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais. Ao longo dessa trajetória, ela afirma que precisou enfrentar episódios que a fizeram perceber como homens e mulheres ainda são tratados de maneira diferente.
“Uma situação que nunca esqueci aconteceu durante uma reunião de trabalho. Eu apresentei uma ideia para uma campanha e ela foi praticamente ignorada. Minutos depois, um homem repetiu exatamente a mesma sugestão e todos elogiaram como se fosse uma grande solução. Naquele momento eu percebi que o problema não era a qualidade da minha ideia, mas quem estava dizendo”, relembra.
Segundo a influenciadora, esse tipo de experiência não é isolado e faz parte da realidade de muitas mulheres que buscam espaço em diferentes áreas: “Existe uma sensação constante de que precisamos provar nossa capacidade o tempo todo. Muitas vezes, antes mesmo de olharem para o nosso trabalho, já fazem julgamentos por sermos mulheres. É desgastante, mas também me fez entender a importância de falar sobre isso.”
Larissa também afirma que o machismo aparece nas redes sociais, onde frequentemente recebe comentários sobre sua aparência em vez de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido. “É muito comum as pessoas comentarem sobre o corpo, a roupa ou a forma como uma mulher se comporta, enquanto o talento fica em segundo plano. Quando um homem conquista espaço, normalmente falam sobre estratégia e competência. Com as mulheres, ainda existe um olhar muito mais crítico”, conta ao Feed TV.
Para ela, combater esse cenário passa pela valorização do trabalho feminino e pela mudança de comportamento dentro e fora do ambiente profissional.
“Não quero que outras mulheres passem pelo que muitas de nós ainda vivemos. Respeito e igualdade não deveriam depender do gênero de ninguém. Quero que as próximas gerações possam ocupar qualquer espaço sendo reconhecidas apenas pela competência, pelo esforço e pelo talento”, conclui.



